Fala-se mal dos (inegavelmente) úteis materiais plásticos ultimamente. São (inegavelmente) os vilões da terra e do mar. Pedaços do que foram produtos dos quais nos servimos e descartamos sem pesar e principalmente sem pensar, são os campeões de mortes de pássaros e animais marinhos oceanos e mundo afora.
Então, fala-se em bioplásticos, plásticos degradáveis e oxibiodegradáveis e outros termos, no sentido de trazer a salvação para o mal causado pelas (inegavelmente) visíveis sacolas plásticas convencionais, que surgem em toda parte, seja em praias desertas ou movimentadas, seja nas ruas das cidades ou nos aterros. Ainda há bem poucos produtos reais feitos desses novos materiais, por enquanto, por razões que afetam o bolso dos consumidores globais.Algumas definições úteis ajudam-nos a compreender o que são esses "biomilagreiros" materiais que nos permitirão dormir em paz porque não veremos mais sacolas plásticas voadoras! Claro, desde que os consumidores fiquem atentos!
Degradação:Redução do tamanho das moléculas do material a partículas através da ação da oxidação( com oxigênio).
Bio-degradação: Processo pelo qual os micro-organismos (bactérias, micróbios, algas) quebram a matéria e formam como resíduo dióxido de carbono,água e biomassa.
Compostabilidade: Processo através do qual, na presença de águae calor as moléculas de um material são transformadas em dióxido de carbono,águae biomassa num espaço de tempo muito curto(menos que 140 dias segundo a Norma ASTM D 6400-04).
Oxi-degradação ou Oxi-biodegradação: O mesmo processo quea degradação e bio-degradação,com a adição de um catalisador para acelerar o processo. Quando as moléculas forem reduzidas a um tamanho suficientemente pequeno,elas podem então ser ingeridas por bactérias( bio-degradação).
Foto-degradação:Decomposição do material quando exposto à energia radiante,tal como a ação da luz do sol,que cria mais alta reatividade e causa oxidação ou qualquer outro tipo de degradação.
Quero chamar a atenção para os projetos de leis que pipocam em cidades, estados e até no Senado focalizando os vilões plásticos e as mal amadas sacolas que estão sob os holofotes.
Em matéria publicada pelo OESP em 27/02/09, o coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SP), Casemiro Carvalho disse: “A obrigatoriedade do uso de uma tecnologia de degradação não vai resolver o problema dos resíduos sólidos. Quando a sacola vai para o aterro, não se biodegrada. A última coisa que vai receber ali é oxigênio e luz. Só seria recomendável usar esses plásticos se tivéssemos condição adequada de compostagem”.
Em 2004 somente 1% do lixo no Brasil era disposto em usinas de compostagem, segundo publicado pelas "Fichas Técnicas" do CEMPRE, Compromisso Empresarial para Reciclagem.
Quando os supermercados não nos oferecerem mais sacolas é bastante provável que aumente a produção de sacos de lixo feitos do mesmo plástico.
Se olharmos o assunto sob outra perspectiva, vamos perceber que falta mesmo é resolver o problema do acondicionamento do lixo e não necessariamente acabar com as vilãs voadoras.
Mas, de quem é esse problema?
A senadora Serys Slhessarenko ( PT- Mato Grosso) acalenta a aprovação do Executivo para seu projeto 291/06, pelo qual concede benefício no Imposto de Renda (IR) às empresas que utilizem produtos de plástico biodegradável ou hidrossolúvel. Em outro projeto ( 424/08) já apresentado ao Senado, a parlamentar defende o banimento das sacolas plásticas que não se degradem facilmente, determinando que todo supermercado utilize apenas as biodegradáveis. Propostas desse naipe vem se tornando mais assíduas no Poder Legislativo e, desde que o movimento ambientalista se entranhou na opinião pública, idéias como as abraçadas pela senadora tendem a surgir com mais frequência ,reforçando as provas de engajamento ecológico exibidas em palanques eleitorais. Sob a lupa da cadeia do plástico, os projetos de Serys Slhessarenko não aguentam dois rounds no rinque da avaliação técnica. Mas sua entrevista sobre o projeto 291/06 ( saiba mais em www.plasticosemrevista.com.br, p.62), constitui um manancial de informações discutíveis, mas preciosas para os porta-vozes do plástico assimilarem melhor a linha de raciocínio e o conhecimento superficial sobre o material e suas afinidades com o desenvolvimento sustentável que transparecem do legislativo federal quando o assunto é o meio ambiente.DE: "Plásticos em Revista", nº 548, p.62/63
Foto: www.fotoserach.com.br, royalty free.